O Sudeste vai muito além da feijoada. Ela é bem típica da região, é verdade, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas cada estado tem outros pratos ainda mais (deliciosamente) característicos. Conheça as receitas tradicionais da região e descubra onde encontrar cada uma delas.

Pão de queijo

 
Ele está presente no Brasil inteiro, mas um mineiro que se preze vai dizer que o de Minas Gerais é sempre melhor. E estará coberto de razão: qualquer pão de queijo de boteco em BH costuma ser melhor que as versões gourmetizadas de São Paulo ou do Rio. Você pode degustá-lo puro ou recheado, como no restaurante A Pão de Queijaria, na capital mineira, que traz o pãozinho com frango com quiabo, costelinha suína, carne de lata...

Fígado com jiló

 
Para alguns, uma combinação de torcer o nariz; para outros, a maior expressão da culinária mineira. Em Belo Horizonte, o fígado com jiló é dos pratos mais tradicionais do Mercado Central, onde se reúnem trabalhadores da região, passantes e turistas para provar a iguaria - de pé e apertados, porque ali não é lugar de frescura. Os pratos, em geral compartilháveis, dificilmente saem por mais de R$15 por pessoa. 

Frango ao molho pardo

 
Prato que veio de Portugal, popular no Nordeste e em Minas Gerais, o Frango ao Molho Pardo ou Galinha de Cabidela consiste em cozinhar a galinha no seu próprio sangue, adicionando vinagre para que ele não coagule(!). A legislação brasileira, que exige que o sangue utilizado na preparação tenha origem comprovada, acaba limitando o número de restaurantes que podem fazer a receita. O Maria das Tranças, em Belo Horizonte, é um dos mais autênticos, já que abate os próprios animais - o frango ao molho pardo de lá é a mais tradicional da cidade.

Feijão tropeiro

 
Sabe aquele lanche típico de estádio de futebol? Normalmente é algum sanduíche, cachorro-quente, pizza ou batata frita, certo? Pois, em Minas Gerais, é o feijão tropeiro, prato que está em todos os lugares do Estado, sempre. Ele leva, além de feijão, farinha de mandioca, torresmo, linguiça, couve e outros temperos. A receita pode variar um pouco - dá para adicionar bisteca, colocar coentro, um ovo com gema mole... O nome é uma homenagem aos próprios tropeiros, que transportavam mercadorias para cá e para lá desde o período colonial, alimentando-se de misturas como essa.

Filé a Osvaldo Aranha

 
Agora vamos para o Rio de Janeiro, nessa homenagem a um político que era, na verdade, gaúcho. O prato típico carioca consiste em um filé ou contra-filé com muito alho frito, batatas portuguesas, arroz e farofa. Osvaldo Aranha costumava almoçar na Lapa nos anos 30 e 40 e pedia esse prato, seu favorito. Hoje, um dos mais tradicionais da cidade é o do Café Lamas, restaurante de quase 150 anos que fica no Flamengo.

Mate de galão com biscoito Globo

 
Ok, não é exatamente um prato, mas não há nesse mundo refeição mais carioca do que o combo biscoito globo + mate de galão. Combinação típica das praias do Rio de Janeiro, o biscoito de polvilho e a bebida, servida geladinha com limão, são vendidos pelos ambulantes o dia todo a cerca de R$5 cada.

Virado à Paulista

 
Esse prato vem lá dos tempos do Brasil Colônia - as primeiras referências a ele são de 1600. Típico, obviamente, dos restaurantes de rua de São Paulo, esse virado é o que muitos chamam de PF, o prato feito, por ser uma refeição bem completa: arroz, feijão ou tutu de feijão, engrossado com farinha de milho ou mandioca, e uma porção de coisas fritas: bisteca, linguiça, couve, banana, ovo, torresmo...

Lanches paulistanos

 
Pode parecer estranho dizer que a comida típica de uma cidade são os seus lanches, mas, em Sampa, isso é bem verdade: sanduíche de pernil, de mortadela, bauru, coxinha... esses são os pratos de boteco mais procurados pelos paulistanos e alguns já são patrimônio gastronômico da cidade, como o altíssimo sanduíche de mortadela do Bar do Mané, no Mercadão Municipal (tão alto que é um desafio mordê-lo) e o de pernil, do bar Estadão.

Pastel de feira

 
É comum em todo o Sudeste, mas em São Paulo é ainda mais forte: todo mundo sabe que o almoço típico do paulistano em dia de feira de rua é o pastel, frito na hora e com variados recheios - queijo, carne, calabresa, bacalhau, pizza... 

Moqueca capixaba

(Foto: Paulo Vilela/Shutterstock)
 
A origem desse prato, acredita-se, é uma mescla das culinárias indígena, portuguesa e africana. A moqueca tradicional do Espírito Santo é um caldo de peixe com tomate e cebola, temperado com coentro e normalmente servido na panela de barro, acompanhado de arroz e pirão, feito com farinha de mandioca. A moqueca também tem sua versão baiana, mais pesada e condimentada, que leva azeite de dendê e leite de coco.

Peroá frito

 
Esse peixe, bem popular no Espírito Santo, costuma ser saboreado fritinho, temperado com limão e acompanhado de batata ou mandioca, nos quiosques pé-na-areia. O estado até já alertou para o perigo de extinção do bichinho há alguns anos, mas o peixe, branco, leve e barato, não sai da mesa capixaba.