Existe um grande tabu sobre fazer uma viagem grávida (como existe com muita coisa que diz respeito ao corpo da mulher e somente a ela). Mas uma gravidez não impede a futura mamãe de se divertir, sair de casa e fugir da rotina.
 
Felizmente, a ideia de viajar antes da chegada de um filho já está ficando mais comum entre as mulheres - e ganhou até um termo: babymoon. É uma espécie de "lua de mel pré-natal", em que a grávida viaja para fazer o que tiver vontade: descansar, passear, planejar, comprar enxoval, montar o álbum da gravidez com um cenário diferente ou curtir os últimos momentos a dois (ou sozinha, por que não?) antes do bebê aparecer na vida, mudando tudo.
 
 
Se você está com vontade de organizar sua babymoon, antes de ouvir tudo quanto é opinião alheia, converse muito com seu médico. Se ele achar que não há problema ou risco para você e seu bebê, arranje um tempo para si sem culpa nenhuma! Aí é só conferir essas dicas para planejar sua viagem e evitar perrengues:
 
Conforto em primeiro lugar. Durante a gravidez, a bombeação de sangue por minuto aumenta de 30% a 50%. Pressionar suas pernas para se adaptar em espaços pequenos acaba "trancando" esse intenso fluxo sanguíneo, causando desconforto, dores e inchaço. Se a companhia aérea ou empresa de ônibus oferece assentos com mais espaço, é melhor optar por eles - mesmo que custem mais caro. Usar meias de média compressão, próprias para grávidas, e mover-se, caminhar e mudar de posição de tempos em tempos também é importante. A sua circulação agradece.  
 
Acomode-se bem durante a viagem. Quem costuma sentir enjoos pode escolher os assentos próximos da asa do avião, onde a estabilidade é maior. Se for um cruzeiro, opte por hospedar-se em cabines do centro do navio, que balançam menos. Ao viajar para o exterior, lembre de observar em qual aeroporto chegará para não ser pega de surpresa com uma distancia de muitos quilômetros até seu destino e a necessidade de seguir viagem depois que aterrizar. 
 
Se puder, fuja da alta temporada. Essa é uma época em que as praias e os parques estão muito lotados, o que aumenta as chances de filas, empurra-empurra e estresse. A gravidez, dependendo do estágio, já favorece por si só a sensação de cansaço e não é uma boa ideia calibrá-la com situações externas.  
 
 
O timing faz diferença. O ideal é viajar entre o quarto e o sexto mês, quando a gestante está menos vulnerável a enjoos e corre menos riscos tanto de complicações, mais comuns no começo da gravidez, quanto de entrar em trabalho de parto. Certa de 80% dos casos de gestações interrompidas espontaneamente acontecem no primeiro trimestre, portanto, é melhor programar a viagem para quando a gravidez estiver estabilizada. 
 
Esteja munida de documentos. Atestados que informem sobre a gravidez e seu estágio, comprovantes de tratamentos médicos, receitas de medicações que estiver utilizando ou costume utilizar, avisos de alergias, informações sobre o seguro de saúde contratado e os hospitais cobertos por ele devem andar com você, na sua bolsa. Essa documentação pode ser importante tanto em situações corriqueiras (caso seja pedida na hora do embarque no avião ou no navio) quanto em emergências médicas. Ao contratar um seguro de saúde para a sua viagem, verifique se ele inclui serviços como um parto de emergência, por exemplo, e imprima a confirmação dessas informações para levá-la com você.
 
Faça um roteiro low profile. Essa não é hora de ir para um festival de música na Escócia nem para saltar de bungee jump na Nova Zelândia, né? Fazer mergulho, cavalgar, criar roteiros apertados e mirabolantes que deixem você (e o bebê) muitas horas sem comer são péssimas ideias. Não dá para conhecer tudo do seu destino em poucos dias como se fazia nos tempos de mochileira com um barrigão pesando para a frente e duas bocas para alimentar. Evite viagens longas de avião, a menos que já esteja completamente acostumada a fazê-las. Evite áreas com doenças e surtos, lugares exóticos com gastronomia muito diferentona (talvez não seja o melhor momento para visitar a Tailândia, por exemplo) e muito quentes, para evitar inchaços. O recomendado é fazer viagens tranquilas para cidades pequenas, destinos de serra, praias calmas, parques ecológicos com trilhas leves, etc.
 
 
Cuide de você. Esteja munida de repelente, protetor solar, chapéu, roupas confortáveis e garrafinhas de água - oito copos por dia é o mínimo recomendado. Tome sucos naturais, água de coco e evite bebidas estimulantes e gasosas, principalmente antes do voo. Para consumir muita fibra e evitar as frituras da praia e os fast food, o melhor é fazer uma marmitinha com snacks e frutas para levar com você. 
 
Aceite o jet lag. Ele vem e é provável que venha ainda pior do que vinha antes da gravidez. Se for viajar para países com diferença razoável de fuso, não force seu corpo para forjar uma adaptação. De manhã, acorde no seu horário normal e faça caminhadas ao ar livre para absorver luz natural e zerar seu relógio interno, o que ajuda a mantê-la desperta. Hidrate-se (principalmente durante o voo) e tente não tirar sonecas que ultrapassem 30 minutos durante o dia. À noite, vale tudo para ajudá-la a sentir sono: banho quente, alongamento, aplicativos de relaxamento no celular, chá de camomila, música lenta, etc.