A China é um outro mundo e pode ser necessário de um pouquinho de adaptação para se virar por lá. Separamos dicas para quem não fala chinês e quer evitar mal-entendidos, gafes e perrengues quando estiver mochilando pelo país.

Questões de segurança

Se você não fala a língua local, a primeira dica imprescindível de segurança na China é: baixe todos os aplicativos de tradução instantânea e mapas antes de ir e leve todas as informações importantes anotadas em chinês. Nomes e endereços de hotéis, estações de trem, aeroportos, atrações turísticas, tudo, se possível impresso e também em algum lugar acessível no modo offline do celular. E aqui não estamos falando de riscos de roubo ou violência, é coisa bem mais simples: é para evitar que você fique perdido e sem possibilidade de comunicação. São raros os chineses que falam inglês e, na casa deles, quem tem que estar preparado é você.
 
 
Carregue seus documentos sempre com você em uma doleira, principalmente se viajar na alta temporada, como na época do Ano Novo Chinês, quando a muvuca do país é ainda maior. O passaporte poderá será exigido para trocar dinheiro, para entrar em atrações turísticas (em Pequim, ele funciona como ingresso na Cidade Proibida, por exemplo) e até para andar nas imediações de prédios oficiais.
 
Também tenha sempre dinheiro em mãos, principalmente para pegar táxi, já que eles não aceitam cartão. E cuide para não cair em golpes de taxistas que deixam de ligar o taxímetro para cobrar um valor exorbitante ao final da corrida, sem que o usuário consiga se defender. Se o taxímetro não for ligado nos primeiros instantes, comece a bradar “taximeter! taximeter!”, apontando para o painel do carro. O motorista vai acabar ligando o aparelho devido à sua insistência.

Questões de respeito

Os templos budistas chineses são de cair o queixo, é verdade: adornados minuciosamente, cheios de esculturas e detalhes em ouro, ficam ali, prontinhos para uma selfie. Mas não é permitido fotografar dentro de templos religiosos - e mesmo quando não há a proibição expressa, os chineses não o fazem, porque consideram má sorte. Respeite as regras e as crenças locais e evite importunar os frequentadores com fotografias, afinal, eles estão lá para orar e merecem privacidade.
 

Questões de paciência

Os chineses furam fila. Simples assim. Lá, não é um ato social questionável e não vai rolar nenhum barraco no aeroporto por causa disso. Chegue cedo nos compromissos de horário marcado e fique atento ao seu lugar para minimizar a possibilidade de ser ultrapassado descaradamente por alguém que estava lá atrás. Se acontecer, respire fundo e esqueça.
 
Outra possibilidade é você ser parado para tirar uma foto com os locais, principalmente crianças, que ficam curiosas com a presença dos ocidentais. Parece estranho para quem não está acostumado, mas não custa ser simpático, sorrir para a foto e agradecer.
 
E claro, não custa lembrar novamente: treine a mímica. Os chineses não costumam falar inglês e nem os que trabalham com turismo são fluentes (e a verdade é que nem precisam ser, já que o turismo de chineses é tão intenso que eles ganham a vida na língua-mãe mesmo).
 

Questões de adaptação

Comece vivendo sem Google - essa já é uma adaptação e tanto. Como a gente explicou aqui, a censura chinesa limita a internet dos usuários, controlando-a através de um firewall, bloqueador de sites e termos considerados “perigosos” pelo governo. Assim, coisas do nosso dia a dia - como Google, Instagram, Twitter e Facebook - são inacessíveis no país, liberados apenas nas regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau.
 
Mas tem outras adaptações mais, digamos, “práticas” no dia a dia chinês, como a do banheiro. Os quartos de hotel, claro, terão banheiro ocidental, com vaso sanitário, e atrações turísticas muito populares também. Mas é comum que estações de trem e até aeroportos tenham apenas o assento oriental, o famoso “buraco no chão”. Para usá-lo, nenhum segredo - é puramente questão de equilíbrio. Tenha força nas pernas e cuide para não cair!
 
Outras adaptações são na gastronomia. Ninguém vai ser obrigado a comer escorpião por falta de outro alimento, bem pelo contrário: no geral, a comida chinesa é simples, baseada em noodles e dim sum, massinha recheada com carne ou vegetais.
 
 
Os chineses costumam tomar água pura quente durante as refeições, que é servida gratuitamente nos restaurantes. Caso não goste da ideia, ao oferecerem água na sua mesa, certifique-se de que é fria antes de sair tomando um golão. Atenção também ao pedir pratos picantes, que são muito mais fortes que os pratos picantes que consumimos por aqui.
 
Os restaurantes não cobram taxa de serviço e a gorjeta não só não é necessária como costuma não ser aceita pelos garçons, mesmo que o cliente insista. É bom saber também que, até em grandes cidades como Xangai e Pequim, os restaurantes fecham cedo - é raro encontrar estabelecimentos abertos às 15h para almoçar ou às 22h para jantar. Se for para sair mais tarde, procure por algum bar ou cervejaria com horário de atendimento estendido.